14 de julho de 2016

Nossas essências...

Quando tudo era amor, esvaziei-me por completo,e peguei as malas e fui caminhando. Sangrando e pulsando de dor sem destino, meus pertences foram se perdendo pelo caminho. A mala ficou vazia e então eu tive que seguir em frente e ir colocando pertences e sentimentos novos na minha bagagem. Dessa vez eu só precisava do simples, do essencial, do básico e quem sabe muitas vezes não teria nada para colocar. Até o vazio me revelaria coisas interessantes sobre mim mesma. Talvez o excesso me ludibriava e me desfavorecia, mas mesmo assim enquanto pude fui o que me fazia feliz. Mais tarde porém, anéis se foram, pares de brincos se tornavam apenas um. Meu coração chorava, mas eu sorria e assim fui vivendo, levantando um dia e caindo em dois. Paralisei, andei... Essa foi a minha real necessidade.
Lembranças do que talvez perdi me deixavam de luto, me apertava a garganta e me colocava na meu próprio sepulcro. Me coloquei em outra plataforma, talvez a de recolher-me, e não mais colar meus cacos estilhaçados porque isso não funcionava mais. Esvaziei-me de afetos temporários, afastei de mim tudo o que me feria de morte, e me fiz ser aquilo que me bastava.
Então, me fiz um novo espelho, e aceitei que o que posso ser nesse momento é o meu hoje renovado. Isso não quer dizer que perdi a minha essência. Tive que me preservar para continuar a existir. Resolvi dar vários passos para trás para que assim continuasse seguindo em frente. Andando fui percebendo que a vida é assim mesmo: Achamos que temos muita coisa e no final de tudo temos apenas o ar para respirar, pessoas para amar e lembranças para ter e deixar. Transformação não significa matar o que se é, e sim entender, aceitar e amadurecer para viver o presente. Aqui, hoje e agora só sei que sou o que posso ser. Não seria nada além do que eu poderia, ou que contrariasse tudo que já fui até hoje. Viver sem aprender é burrice.

(Adriana Silva)

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