15 de junho de 2017

Isto É Lá Com Santo Antônio


Eu pedi numa oração
Ao querido são joão
Que me desse um matrimônio
São joão disse que não!
São joão disse que não!
Isto é lá com santo antônio!

Eu pedi numa oração
Ao querido são joão
Que me desse um matrimônio
Matrimônio! matrimônio!
Isto é lá com santo antônio!

Implorei a são joão
Desse ao menos um cartão
Que eu levava à santo antônio
São joão ficou zangado
São joão só dá cartão
Com direito a batizado

Implorei a são joão
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a santo antônio
Matrimônio! matrimônio!
Isto é lá com santo antônio!

São joão não me atendendo
A são pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Disse o velho, num sorriso:
- minha gente, eu sou chaveiro!
Nunca fui casamenteiro!

São joão não me atendendo
A são pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Matrimônio! matrimônio!
Isto é lá com santo antônio

Composição: Lamartine Babo / Mario Reis

31 de maio de 2017

Deito


Deito meu corpo cansado cabeça no travesseiro escorregando entre os sonhos.

(Jaqueline)

10 de maio de 2017

Eu sei, mas não devia


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos 
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.

E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(Marina Colsasanti)



(Achei muito verdadeiro e gostei, amei e postei!) ❤

1 de maio de 2017

Para hoje...


Para hoje...
Um bocadinho de ternura e paz
com cheirinho e colorido de flor
para alegrar o dia.

(Adriana Silva)


14 de abril de 2017

Aquela criança que habita dentro de nós.


Hoje deitei-me com o meu lado criança... Lado esse que não despertava há muito tempo devido a seriedade dos meus dias, correria dos meus compromissos e afazeres. Larguei o franzido da testa e dei lugar as melodias infantis e ninei meus sonhos momentâneos e nutri os ouvidos da minha filha. Eu sei que a gente cresce, mas nos esquecemos de brincar, e que não importa quantos anos tivermos sempre seremos aquela criança que habita dentro de nós. 

(Adriana Silva)


27 de março de 2017

Outono


Outono...
Folhas caídas,
céu muda de cor.
É a despedida do calor.

(Adriana Silva)

15 de março de 2017

Nunca deixarei...


E quando em minha mente tiver a lembrança da criança que vou continuar sendo, mesmo que cronologicamente tudo me desminta não vai impedir em mim  que sinta a velha criança pousar. Poderei ter quantos anos quiser, e gostar dos meus balões preferidos, coloridos e queridos com magia da cor do céu, do amor, do sol, e do entardecer. Meus olhos brilharão da mesma forma como algo lindo. Eu envelhecerei, mas de ser criança, em pequenas coisas nunca de ser deixarei.

(Sonhos de Jaqueline)